Pecuária gaúcha enfrenta desafios com novas exigências sanitárias do Mercosul

Os pecuaristas do Rio Grande do Sul estão correndo contra o tempo para se adequar às novas exigências sanitárias do Mercosul, que entram em vigor no segundo semestre deste ano. As normas, negociadas ao longo de três anos entre os países do bloco, estabelecem padrões mais rigorosos para rastreabilidade, bem-estar animal e uso de medicamentos veterinários.

Para os produtores gaúchos, que exportam carne para mais de 80 países, a adequação é fundamental para manter o acesso aos mercados internacionais. Mas o processo de certificação é caro e burocrático, e muitos pequenos produtores dizem que não têm recursos para cumprir todos os requisitos no prazo estabelecido.

"Tenho 300 cabeças de gado. Para instalar o sistema de rastreabilidade eletrônica que as normas exigem, preciso de pelo menos R$ 80 mil. Não tenho esse dinheiro", diz o pecuarista Osvaldo Martins, de Bagé.

A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) está negociando com o governo estadual um programa de apoio financeiro para pequenos e médios produtores. A proposta inclui linhas de crédito subsidiadas e assistência técnica para a implementação dos novos sistemas.

Do ponto de vista técnico, as exigências incluem a identificação individual de todos os animais com brincos eletrônicos, o registro de todas as movimentações no sistema nacional de rastreabilidade, e a comprovação de que os animais foram criados sem o uso de determinados hormônios de crescimento proibidos na União Europeia.

Os frigoríficos, que são os elos da cadeia que efetivamente exportam, já estão adaptados às novas exigências. O desafio está na base da cadeia produtiva, onde a maioria dos produtores ainda opera de forma tradicional.

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Beatriz Souza
Nascida em Bagé, cobre política gaúcha e questões agrárias há oito anos.