Municípios fronteiriços debatem integração econômica com Uruguai e Argentina

Prefeitos de seis municípios fronteiriços do Rio Grande do Sul se reuniram em Santana do Livramento na última quinta-feira para discutir uma proposta ambiciosa: a criação de uma zona de livre comércio binacional que abranja as cidades gêmeas brasileiras e uruguaias ao longo da fronteira.

A iniciativa, que já conta com o apoio informal de autoridades uruguaias de Rivera e Artigas, prevê a simplificação de procedimentos aduaneiros, o reconhecimento mútuo de documentos e licenças profissionais, e a criação de um fundo conjunto para investimentos em infraestrutura compartilhada.

"Vivemos numa região onde as fronteiras são artificiais. As famílias são binacionais, os negócios são binacionais. Precisamos que as políticas públicas também sejam", disse o prefeito de Santana do Livramento, Carlos Henrique Osório.

A proposta encontra respaldo no modelo das chamadas "cidades gêmeas", reconhecidas pelo governo federal como áreas de especial interesse para a integração regional. Atualmente, existem 33 pares de cidades gêmeas ao longo das fronteiras brasileiras, mas poucos possuem mecanismos formais de cooperação econômica.

Do lado uruguaio, o prefeito de Rivera, Nicolás Olivera, participou da reunião como observador e demonstrou interesse na proposta. "Temos muito a ganhar com uma integração mais profunda. Nossas economias são complementares", afirmou.

O próximo passo será a elaboração de um documento formal que será encaminhado aos governos federal do Brasil e do Uruguai, além de ser apresentado na próxima reunião do Mercosul. Os prefeitos esperam ter uma resposta oficial até o final do ano.

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Beatriz Souza
Nascida em Bagé, cobre política gaúcha e questões agrárias há oito anos.